ENESPT
NDPH

Para o seu médico

Um resumo da CPDI em uma página para profissionais.

A CPDI é rara o bastante para que muitos clínicos gerais nunca tenham visto um caso. Imprima esta página e entregue ao médico que está atendendo você: os critérios diagnósticos, o que precisa ser descartado primeiro e como o tratamento costuma ser escolhido, com as referências para conferir.

Uma página, retrato, A4 ou Carta. Escrito por Seth Mundall, MD; conferido com as fontes listadas no rodapé.

Resumo clínico · para profissionais de saúde

Cefaleia persistente e diária desde o início (CPDI; em inglês, NDPH)

Código ICHD-3 4.10 · ICD-10-CM (EUA) G44.52 · Preparado por Seth Mundall, MD, para ndph.org · Revisado em outubro de 2026

Critérios diagnósticos (ICHD-3 4.10)1

ACefaleia persistente que preenche os critérios B e C
BInício distinto e claramente lembrado, com dor que se torna contínua e sem remissão em até 24 horas
CPresente há mais de 3 meses
DNão mais bem explicada por outro diagnóstico da ICHD-3

Nenhum fenótipo específico é exigido: a dor pode ter características de enxaqueca ou de cefaleia do tipo tensional.

Dados principais

  • Prevalência populacional de cerca de 0,03–0,1%; relativamente mais comum em crianças e adolescentes.2,3,40
  • Cerca de metade dos pacientes relata um gatilho: principalmente infecção ou quadro gripal, depois evento estressante ou cirurgia (em uma série, todos os casos pós-cirúrgicos haviam sido intubados).4
  • Cerca de dois terços têm fenótipo semelhante ao da enxaqueca crônica.7
  • Entre as cefaleias primárias mais refratárias; não há ensaios randomizados específicos para a CPDI.7,40

Princípios de manejo

  • Tratar conforme o fenótipo predominante (semelhante à enxaqueca ou do tipo tensional).40
  • Dar a cada preventivo dose e duração adequadas antes de considerá-lo ineficaz, e registrar os resultados.
  • Rastrear e prevenir o uso excessivo de medicamentos: medicação para crise ≥10 dias/mês (≥15 para analgésicos simples e AINEs).1,31
  • Opções relatadas em casos refratários: bloqueios nervosos, onabotulinumtoxinA, metilprednisolona IV, lidocaína IV e cetamina; as evidências são limitadas.40
  • Em crianças, a demora até o primeiro tratamento se associou a piores resultados em um ano.35
  • Considerar encaminhamento a um especialista em cefaleia se houver dúvida diagnóstica, sinais de alerta ou falha de vários preventivos.

Descartar antes as causas secundárias

Sinal clínicoConsiderar
Piora em pé, melhora deitadoHipotensão intracraniana espontânea (fístula liquórica)
Piora deitado, ao acordar ou com Valsalva; papiledema; zumbido pulsátil; obscurecimentos visuaisHipertensão intracraniana (idiopática, trombose venosa cerebral, lesão expansiva)
Início em trovoadaHemorragia subaracnóidea, SVCR, dissecção arterial cervical, trombose venosa cerebral
Idade acima de 50; claudicação mandibular; dor no couro cabeludoArterite de células gigantes (VHS/PCR)
Febre, perda de peso, câncer ou imunossupressãoInfecção, neoplasia
Gravidez ou puerpérioTrombose venosa cerebral, pré-eclâmpsia
Início após trauma de cabeça ou pescoçoCefaleia pós-traumática persistente
Medicação para crise em muitos diasCefaleia por uso excessivo de medicamentos: estabelecer o que veio primeiro
Estritamente unilateral com sintomas autonômicos ipsilateraisHemicrania contínua (resposta à indometacina)
Instalação gradual a partir de crises episódicasEnxaqueca crônica ou cefaleia do tipo tensional crônica

O diagnóstico é clínico; a investigação visa descartar as causas acima e costuma incluir neuroimagem.40

Do paciente. Posso ter trazido um calendário de dor de cabeça (dor por dia, dias com remédio) e um histórico dos tratamentos tentados. Os dois são gratuitos em ndph.org/tools-pt.html.

1. Headache Classification Committee of the IHS. ICHD-3. Cephalalgia 2018;38:1-211.

2. Grande RB et al. Cephalalgia 2009;29:1149-55.

3. Castillo J et al. Headache 1999;39:190-6.

4. Rozen TD. Headache 2016;56:164-73.

7. Cheema S et al. NDPH: a systematic review and meta-analysis. Cephalalgia 2023;43:3331024231168089.

31. Diener HC et al. Medication overuse headache. Lancet Neurol 2019;18:891-902.

35. Abuhalaweh N et al. Treatment outcomes in NDPH in children and adolescents. Cephalalgia 2026;46:3331024261426562.

40. Yamani N, Olesen J. NDPH: a systematic review. J Headache Pain 2019;20:80.

Referências

Os números no texto remetem a estas fontes (em inglês, como foram publicadas). Quando a evidência vem da enxaqueca e não da CPDI, o texto informa.

  1. Headache Classification Committee of the International Headache Society. The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia 2018;38(1):1-211. doi.org/10.1177/0333102417738202
  2. Grande RB, Aaseth K, Lundqvist C, Russell MB. Prevalence of new daily persistent headache in the general population. The Akershus study of chronic headache. Cephalalgia 2009;29:1149-55. doi.org/10.1111/j.1468-2982.2009.01842.x
  3. Castillo J, Muñoz P, Guitera V, Pascual J. Epidemiology of chronic daily headache in the general population. Headache 1999;39:190-6. doi.org/10.1046/j.1526-4610.1999.3903190.x
  4. Rozen TD. Triggering events and new daily persistent headache: age and gender differences and insights on pathogenesis — a clinic-based study. Headache 2016;56:164-73. doi.org/10.1111/head.12707
  5. Cheema S, Mehta D, Ray JC, Hutton EJ, Matharu MS. New daily persistent headache: a systematic review and meta-analysis. Cephalalgia 2023;43(5):3331024231168089. doi.org/10.1177/03331024231168089
  6. Diener HC, Dodick D, Evers S, et al. Pathophysiology, prevention, and treatment of medication overuse headache. Lancet Neurol 2019;18:891-902. doi.org/10.1016/S1474-4422(19)30146-2
  7. Abuhalaweh N, Gelfand AA, Evans M, et al. Treatment outcomes in new daily persistent headache in children and adolescents. Cephalalgia 2026;46:3331024261426562. doi.org/10.1177/03331024261426562
  8. Yamani N, Olesen J. New daily persistent headache: a systematic review on an enigmatic disorder. J Headache Pain 2019;20:80. doi.org/10.1186/s10194-019-1022-z