Tratamento
Não existe tratamento comprovado para a CPDI, e quem promete um está à frente da evidência. Mas há opções reais, e alguns estudos já trazem números honestos. Aqui estão eles, em linguagem simples.
Uma dor de cabeça diária que começa de repente também pode ter uma causa tratável, como uma fístula liquórica, um aumento da pressão dentro da cabeça ou um problema num vaso sanguíneo. A CPDI só é diagnosticada depois de descartar essas causas.1 O uso frequente de analgésicos pode somar uma segunda dor de cabeça, então isso também é avaliado.31 O resumo para profissionais lista o que os médicos procuram.
Como não há remédios específicos para a CPDI, a escolha depende principalmente de como é a dor.40 Cerca de dois terços das pessoas com CPDI têm características de enxaqueca, como dor latejante, náusea ou sensibilidade à luz.7 Nesses casos, o médico costuma começar com preventivos da enxaqueca. Quando a dor parece mais uma faixa apertada, com poucas características de enxaqueca, tentam-se os preventivos da cefaleia tensional. Outros problemas de saúde, os efeitos colaterais e as preferências de cada pessoa estreitam a escolha.
Num estudo com 63 pacientes na Índia, acompanhados por uma mediana de nove meses, 37% tiveram resposta excelente e outros 30%, boa. Quem identificava um gatilho evoluiu melhor, assim como quem recebeu metilprednisolona ou valproato de sódio na veia.48 O estudo revisou prontuários e não teve grupo de comparação: mostra que melhorar é possível, não qual remédio causa a melhora.
Nesses estudos, “resposta” costuma significar pelo menos 30% menos dias com dor moderada a intensa. Nenhum comparou o tratamento com um placebo.
| Tratamento | O que os estudos em CPDI encontraram | Quão forte é a evidência? |
|---|---|---|
| OnabotulinumtoxinA (botox) | De 58 pessoas com CPDI que receberam duas rodadas de aplicações, 34,5% responderam em 24 semanas. Não foi significativamente diferente da enxaqueca crônica, e os efeitos colaterais foram parecidos, nenhum grave.42 Numa série menor dos EUA, cerca de metade de 16 pacientes tinha menos dias com dor em 6 meses.43 | Moderada: os maiores dados em CPDI para qualquer tratamento, mas observacionais |
| Anticorpos anti-CGRP (erenumabe, galcanezumabe e outros) | De 48 pessoas com CPDI resistente a tratamento, 23% responderam em 12 semanas, menos do que na enxaqueca crônica. Cerca de metade teve algum efeito colateral, quase sempre leve.44 Numa auditoria britânica com 82 pessoas com dor de início súbito e sem remissão (a maioria com CPDI ou cefaleia pós-traumática), 35% continuavam com erenumabe depois de cerca de dois anos porque ele ajudava.45 | Moderada: coerente, mas observacional |
| Bloqueios de nervos | Os bloqueios dos nervos do couro cabeludo são muito usados nas dores de cabeça crônicas, e algumas pessoas com CPDI se beneficiam. Mas numa clínica, entre quem não tinha respondido a um bloqueio do nervo occipital maior, só 10% das pessoas com CPDI responderam a bloqueios de vários nervos da cabeça, contra 49% na enxaqueca crônica.46 | Baixa |
| Corticoides (metilprednisolona na veia) | Nove pessoas cuja dor começou semanas depois de uma infecção melhoraram após cinco dias de corticoide na veia.47 Em crianças, tratamentos “ponte” curtos, como remédios na veia, às vezes com corticoide oral, ajudaram 57% de quem os recebeu.35 | Baixa: estudos pequenos, sem controle |
| Infusões de cetamina no hospital | De 77 pessoas com enxaqueca crônica ou CPDI em quem todo o resto tinha falhado, uma infusão de cetamina baixou a dor em 71% na alta, mas só cerca de um quarto delas mantinha o benefício na consulta seguinte.49 | Baixa: o benefício dura pouco na maioria |
| Estimulação do nervo occipital (um aparelho implantado) | Só uma de nove pessoas com CPDI de tipo enxaquecoso respondeu, após um acompanhamento mediano de mais de quatro anos.50 | Baixa, e pouco animadora |
| Outros remédios | Muitos outros medicamentos já foram descritos como úteis em pacientes isolados ou em grupos muito pequenos. Isso não basta para saber se funcionam.40 | Muito baixa |
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Viver com dor constante afeta o sono, o humor e a energia, e isso, por sua vez, torna a dor mais difícil de suportar. As abordagens psicológicas, principalmente a terapia de aceitação e compromisso, têm boa evidência na dor crônica em geral.30 Elas não são sinal de que a dor “é coisa da cabeça”. O sono também importa: veja o sono e a dor de cabeça diária. O guia principal trata de suplementos, alimentação e movimento, com o que a evidência mostra e o que não mostra.
Os números no texto remetem a estas fontes (em inglês, como foram publicadas). Quando a evidência vem da enxaqueca e não da CPDI, o texto informa.